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Portugal:
PROF.
ANÍBAL CAVACO SILVA
Aníbal
Cavaco Silva tomou posse como
19º Presidente da República Portuguesa em 9 de Março de 2006. Fora
eleito, à primeira volta, no escrutínio presidencial de 22 de
Janeiro, ao qual se apresentou com uma candidatura pessoal e
independente.
Afirmando
que os desafios que Portugal enfrenta exigem uma magistratura
presidencial que favoreça consensos alargados em torno dos grandes
objectivos nacionais, o Prof. Aníbal Cavaco Silva iniciou o seu
mandato defendendo a promoção de uma estabilidade dinâmica no
sistema político democrático e uma cooperação estratégica entre
os vários poderes.
O
Presidente Cavaco Silva preconizou, ainda, uma intervenção activa de
Portugal na União Europeia, bem como a importância da construção
de uma relação transatlântica saudável.
Nascido
a 15 de Julho de 1939, em Boliqueime, Loulé (Algarve), o Presidente
Aníbal Cavaco Silva tem o seu nome associado, como Primeiro-Ministro,
ao período da mais duradoura estabilidade política registado em
Portugal nas últimas décadas, a um ciclo de grandes transformações
económicas e sociais e de modernização do País, a um tempo em que
os Portugueses recuperaram o optimismo e ganharam maior confiança no
futuro.
Único
líder partidário a conquistar duas maiorias absolutas consecutivas,
o que o tornou no Primeiro-Ministro português que mais tempo
permaneceu em funções em democracia (1985-1995), Cavaco Silva
deixou, nos seus mandatos como governante, uma marca de determinação
e firmeza na aplicação de um vasto conjunto de reformas estruturais,
que promoveram a democratização e a liberalização da sociedade e
da economia portuguesas.
Num
momento em que o País enfrentava os primeiros grandes desafios da
integração europeia, e apoiado na estabilidade política que os
Portugueses proporcionaram através do seu voto, Cavaco Silva levou
Portugal a ultrapassar a quase estagnação em que estava mergulhado,
a beneficiar de um novo ambiente económico e social, a aproximar-se
dos níveis médios de desenvolvimento dos seus parceiros da União
Europeia e a assegurar-lhe maior projecção e reconhecimento
internacionais. A economia portuguesa cresceu a uma taxa média anual
de 4%.
Conduziu
um ambicioso programa, que incluiu elevados investimentos em obras públicas
e infra-estruturas e a adopção de novas práticas na economia –
nomeadamente reduzindo o intervencionismo do Estado, atribuindo um
papel mais relevante à iniciativa privada e aos mecanismos de mercado
e incentivando o investimento directo estrangeiro, ao mesmo tempo que
reforçou a coesão social.
Pôs
em marcha uma vasta reforma fiscal, introduziu alterações profundas
no sector da educação – que passaram pela reforma do sistema
educativo e pela modernização do parque escolar – trouxe mudanças
significativas à área da saúde e promoveu, ainda, a liberalização
da comunicação social, com destaque para a abertura das televisões
privadas.
A
maior afirmação da sociedade civil e a promoção das liberdades
sociais foram grandes eixos sempre presentes na acção pública de Aníbal
Cavaco Silva. A estabilidade política que garantiu e a confiança que
fez repercutir nos parceiros sociais permitiram, nomeadamente, a
celebração dos primeiros acordos de concertação social em
Portugal, assim sublinhando o acerto das soluções sócio-económicas
preconizadas.
Cavaco
Silva foi um protagonista activo no processo que conduziu à aceleração
da construção europeia, em resposta à nova realidade geopolítica
que sucedeu à queda do Muro de Berlim, assumindo papel central em
algumas grandes decisões, influenciando as opções inscritas no
Tratado de Maastricht – a propósito, designadamente, da coesão
económica e social e das situações específicas dos estados-membros
– e garantindo a adesão do escudo ao Sistema Monetário Europeu,
criando condições para a integração de Portugal no primeiro grupo
de países da moeda única europeia.
Participou
em 29 Conselhos Europeus, onde defendeu com sucesso os interesses de
Portugal, como foi o caso da aprovação dos Pacotes Delors I e II, do
PEDIP (Programa Específico para o Desenvolvimento da Indústria
Portuguesa), da criação de programas específicos de apoio ao
desenvolvimento dos Açores e Madeira, bem como do programa de apoio
à modernização da indústria têxtil e de vestuário portuguesa. No
primeiro semestre de 1992, e sob a sua empenhada condução, Portugal
assumiu, pela primeira vez e com reconhecido êxito, a presidência
rotativa da União Europeia.
No
plano das relações com o mundo lusófono, Cavaco Silva foi um
promotor de mudanças no sentido da estabilização democrática dos
regimes africanos, tendo patrocinado as negociações de paz para
Angola e apoiado processo idêntico em Moçambique. Foi também sob a
sua liderança que Portugal esteve no centro da criação da
Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP) e que foi decidida
a realização anual das cimeiras luso-brasileiras.
Aníbal
Cavaco Silva imprimiu uma nova dinâmica à política externa
portuguesa, no reforço do papel pró-activo de Portugal nas suas relações
bilaterais e multilaterais, assim como em vários palcos regionais.
Através
de cimeiras anuais a nível de Chefes de Governo, aprofundou o
relacionamento com a Espanha, fomentando os intercâmbios num vasto
leque de áreas e o maior desenvolvimento das regiões transfronteiriças.
Impulsionou as relações com Marrocos nos planos político e económico,
estabeleceu um clima de bom entendimento e cooperação com os Estados
Unidos, contribuindo para um melhor diálogo euro-atlântico, e
estreitou os laços com a China, com a qual assinou a Declaração
Conjunta para a transferência de Macau, assegurando ao território
uma transição em estabilidade e progresso.
Simultaneamente,
ajudou a potenciar o protagonismo das comunidades portuguesas
espalhadas pelo mundo nos respectivos países de acolhimento, a maior
parte das quais visitou.
Em
7 de Setembro de 1995, foi distinguido na Alemanha com o Prémio Carl
Bertelsmann que a prestigiada Fundação Bertelsmann decidiu atribuir
a Portugal pelo sucesso das políticas de melhoria do mercado de
trabalho e de luta contra o desemprego, enquanto Aníbal Cavaco Silva
exerceu o cargo de Primeiro-Ministro. A escolha de Portugal resultou
de uma análise comparativa de 17 países europeus, efectuada pelo
Instituto para a Política Económica e Investigação Conjuntural da
Universidade de Witten-Herdecke. Recebeu ainda o prémio Joseph Bech
(1991), no Luxemburgo, e a medalha Robert Schuman (1998), pela sua
contribuição para a construção europeia, e o Freedom Prize (1995),
na Suíça, concedido pela Fundação Schmidheiny, pela sua acção
como político e economista.
Da
sua vasta obra publicada há a referir os livros O Mercado Financeiro
Português em 1966, Economic Effects of Public Debt, Política Orçamental
e Estabilização Económica, A Política Económica do Governo de Sá
Carneiro, Finanças Públicas e Política Macroeconómica, As Reformas
da Década, Portugal e a Moeda Única, União Monetária Europeia,
Autobiografia Política, Volume I e II, e Crónicas de Uma Crise
Anunciada.
As
intervenções mais importantes produzidas como Primeiro-Ministro
encontram-se reunidas nos livros Cumprir a Esperança (1987),
Construir a Modernidade (1989), Ganhar o Futuro (1991), Afirmar
Portugal no Mundo (1993) e Manter o Rumo (1995).
Tendo-se
afastado da vida política activa entre 1995 e 2005, período durante
o qual retomou a sua actividade académica, o Presidente Cavaco Silva
manteve, todavia, uma marcante participação cívica, nomeadamente
através de intervenções pontuais sobre questões nacionais e
internacionais, caracterizadas por elevados padrões de rigor,
exigência e credibilidade, que sempre constituíram marca da sua
actuação pública, enquanto académico e como homem político.
Aníbal
Cavaco Silva é licenciado em Finanças pelo Instituto Superior de Ciências
Económicas e Financeiras, Lisboa, e doutorado em Economia pela
Universidade de York, Reino Unido. Foi docente do ISCEF, Professor
Catedrático da Faculdade de Economia da Universidade Nova de Lisboa
e, quando foi eleito Presidente da República, era Professor Catedrático
na Universidade Católica Portuguesa.
Foi
investigador da Fundação Calouste Gulbenkian e dirigiu o Gabinete de
Estudos do Banco de Portugal, instituição à qual regressou
posteriormente como consultor. Exerceu o cargo de ministro das Finanças
e do Plano em 1980-81, no governo do primeiro-ministro Francisco Sá
Carneiro, e foi presidente do Conselho Nacional do Plano entre 1981 e
1984. Presidiu ao Partido Social Democrata (PSD) entre Maio de 1985 e
Fevereiro de 1995.
O
Presidente Cavaco Silva é Doutor Honoris Causa pelas Universidades de
York (Reino Unido) e La Coruña (Espanha), membro da Real Academia de
Ciências Morais e Políticas de Espanha, do Clube de Madrid para a
Transição e Consolidação Democrática e da Global Leadership
Foundation.
Aníbal
Cavaco Silva cumpriu o serviço militar como oficial miliciano do Exército,
entre 1962 e 1965, em Lourenço Marques (actual Maputo), Moçambique.
É
casado com Maria Alves da Silva Cavaco Silva. O casal tem dois filhos
e quatro netos.
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