SIMBA Makoni, ex-ministro das Finanças e um dos quatro candidatos a presidente nas eleições de 29 de Março, confirmou que estão actualmente a realizar-se consultas entre a ZANU-PF (do presidente Mugabe) e o Movimento para a Mudança Democrática (MDC, de Morgan Tsvangirai) e que ambas as forças concordam em que um governo de transição é a única forma de resolver o problema imediato do Zimbabwe.

 “O único ponto de contencioso é saber quem nos liderará, quem será a pessoa no topo”, questionou Simba Makoni.

Escusando-se a apoiar qualquer dos candidatos, Makoni avançou a idéia de que um governo de transição deveria ter líderes de ambos os campos. Esta foi a tese defendida durante a campanha para as eleições harmonizadas de Março pelo movimento “Mavambo”, base de apoio de Makoni. 

Segundo o jornal “Notícias” editado em Maputo, Simba Makoni, que já foi ministro das Finanças do presidente Robert Mugabe e que foi expulso do partido no poder - a ZANU-PF - quando anunciou a sua candidatura às presidenciais, declarou-se convencido de que a única solução para a actual crise do Zimbabwe é a constituição de um governo de unidade nacional.

Por outro lado, Makoni considerou que será impossível realizar a segunda volta da eleição presidencial de forma justa e livre no Zimbabwe, marcada para o próximo dia 27, dado o clima político e o Estado ruinoso das finanças nacionais.  

Falando numa conferência de Imprensa, o candidato que obteve 8 por cento dos votos na primeira volta das presidenciais zimbabweanas, reiterou que nem o povo do Zimbabwe nem a nação estão em condições de se sujeitarem a uma segunda volta da eleição presidencial.

Segundo Makoni, o actual clima de instabilidade e violência não são propícios à realização de eleições livres e justas.

Quando questionado sobre o que pensa do mediador mandatado pela SADC (o Presidente sul-africano Thabo Mbeki), Simba Makoni afirmou que “não adianta neste momento atirar pedras, acusações e alegações” (contra Mbeki).

“Ele (Mbeki) é o que está a tentar fazer o seu melhor dadas as circunstâncias”, disse.

Para o candidato presidencial derrotado, o problema é do Zimbabwe e embora a região esteja numa posição de ajudar a resolvê-lo, compete aos zimbabweanos, em última instância, encontrar soluções.

Entretanto, a União Europeia e os EUA anunciaram que vão pedir à ONU para enviar observadores ao Zimbabwe para acompanhar o desenrolar da segunda volta da eleição presidencial de 27 de Junho e fazer um relatório sobre a alegada violação dos direitos humanos naquele país.

Um porta-voz europeu declarou que o assunto esteve na agenda da Cimeira UE-EUA que decorreu na terça-feira em Lublijana, capital da Eslovénia, país que assegura a presidência em exercício da União Europeia.

A União Europeia e os Estados Unidos vão enviar um pedido conjunto ao secretário-geral da ONU para o envio de observadores ao Zimbabwe, indicou o porta-voz europeu.

Direitos Reservados © CAE - Centro de Análise Estratégica 2002