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Fidel deixa
o poder e abre caminho para transição em Cuba

Fidel
Castro e o irmão Raul Castro
O
veterano líder Fidel Castro anunciou na terça-feira que deixa
a Presidência de Cuba devido à sua frágil saúde,
despedindo-se do poder depois de quase meio século como lenda
viva da esquerda mundial.
Fidel, de 81 anos,
disse em texto publicado no jornal oficial Granma que ainda não
se recuperou da enfermidade não revelada que o obrigou a
transferir o poder, há um ano e meio, a seu irmão Raúl.
Assim, o líder cubano abriu mão da reeleição em 24 de Fevereiro
como chefe de Estado.
Na mensagem
publicada na terça-feira, Fidel renuncia não só à Presidência
como também ao cargo não-eletivo de "Comandante en Jefe",
que ostenta desde seus dias de guerrilheiro.
"Aos meus
estimados compatriotas, que me fizeram a imensa honra de me
eleger em dias recentes como membro do Parlamento, lhes comunico
que não aspirarei nem aceitarei --repito-- não aspirarei nem
aceitarei, o cargo de presidente do Conselho de Estado e
comandante-chefe", escreveu Fidel em texto datado de
segunda-feira e publicado na terça pelo diário oficial do
Partido Comunista.
A decisão de não
se candidatar a mais um mandato de cinco anos como chefe de
Estado acaba com o mistério sobre o futuro político do homem
que governava Cuba desde a revolução de 1959, desafiando os
Estados Unidos e se tornando um mito para a esquerda mundial.
Em sua mensagem,
Fidel diz não estar "em condições físicas" de
encabeçar outro mandato presidencial, embora goze, segundo ele,
de "domínio total" sobre suas faculdades mentais.
SUCESSÃO
O sucessor de Fidel
como presidente será anunciado no domingo, quando o Parlamento
cubano se reunir para renovar o Conselho de Estado, que ele
presidia até agora.
Raúl
Castro, um general de 76 anos que foi por meio século o braço
direito do irmão mais velho, e a quem substitui interinamente
desde Julho de 2006, é o candidato mais provável à sucessão.
Em seu comunicado,
Fidel disse que a velha guarda que o acompanha desde a época da
guerrilha na Sierra Maestra (sudeste de Cuba) tem "a
autoridade e a experiência para garantir a substituição".
"O caminho sempre será difícil e exigirá o esforço
inteligente de todos", escreveu.
A notícia não
perturbou a madrugada em Cuba. Na deserta Praça da Revolução,
palco de muitos dos intermináveis e ardentes discursos de
Fidel, um soldado solitário mantinha a guarda do local sob uma
imensa lua cheia.
Fidel, que
sobreviveu a mais de 600 tentativas de assassinatos por parte da
CIA e reconhecido orador que chegou a fazer um discurso de mais
de 7 horas, foi o governante que ficou mais tempo no poder em
mais de um século.
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